Depois de se frustrar juntando dinheiro de forma errada, essa noiva finalmente realizou o seu sonho…

Este artigo é uma das histórias de superação financeira relatadas aqui no Poupar Fácil, para motivar você a alcançar as suas metas e objetivos. Conheça agora a história da jovem Franciele.


Aos 22 anos, Franciele era manicure experiente e trabalhava duro para se casar usando um vestido especial. Entretanto, as dificuldades quase a fizeram desistir de tudo…

Seus olhos estavam sorrindo, quase lacrimejando de tanta emoção. Franciele estava encantada com a imagem que via no espelho. Sim, aquela imagem refletia tudo que ela sempre sonhara. Estava igual a uma atriz de novela, parecia uma princesa. Era o vestido de noiva perfeito. Exatamente o que visualizou todas as vezes que imaginou o dia de seu casamento. Seu coração estava acelerado, pulsava de alegria. Era difícil conter a emoção de ver aquele sonho se tornar realidade.

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“Casar com o vestido dos meus sonhos era incrível! Mas isso parecia impossível há algum tempo…”

Todo dia Franciele ia para o salão e deixava tudo em ordem para atender sua clientela. Esterilizava o material, arrumava os esmaltes e organizava sua agenda para ver se não havia duas clientes no mesmo horário. Ela não tinha grandes ambições. Só queria se casar com Joelson e usar o vestido de noiva dos seus sonhos. Mas ainda era um sonho distante.

Franciele gostava de trabalhar como manicure. Não ganhava muito, mas dava para ter comida na mesa, pagar o aluguel, comprar uma peça de roupa no bazar da igreja de vez em quando e pagar as contas atrasadas – até porque as contas do mês sempre ficavam para depois.

Seu único luxo era ir até o barzinho mais próximo. Ia todo sábado depois do expediente, quando conseguia boas gorjetas durante a semana. Tomava sua cerveja, curtia um pagode e aproveitava para paquerar um pouco. Foi lá que ela conheceu Joelson. Fazia dois meses que estavam namorando. Joelson era um homem trabalhador, era pedreiro. Com 22 anos já tocava a obra inteira sem supervisão.

“Eu conseguia me virar, já que a minha vida era simples, sem ostentação. Estava sempre sem grana, contando as moedas. Mas dava um jeito.”

Depois de uma conversa com D. Roselena, sua cliente fiel, Franciele foi para casa imaginando o dia do seu casamento. Ela caminhando até o altar de braços dados com seu pai, Joelson feliz da vida, todos se divertindo na festa e o mais importante: o vestido de noiva dos seus sonhos. Era o mesmo vestido de uma personagem da novela das oito.

No começo do mês o salão sempre ficava lotado, principalmente aos sábados. A clientela tinha dinheiro no bolso e aproveitava para arrumar o cabelo, cuidar da unha e fazer depilação. A agenda de Franciele estava tão cheia que ela mal tinha conseguido almoçar. Teve que engolir sua quentinha em dez minutos no meio da tarde, pois ainda tinha mais quatro clientes para atender antes de ir para casa se arrumar. Fazia seis meses que ela estava namorando Joelson e ele queria ir até o barzinho da esquina para comemorar. Apesar do cansaço, Franciele daria um jeito de vencê-lo.

Franciele chegou em casa em cima da hora. Joelson iria buscá-la às outo da noite, enquanto ela só tinha meia hora para tomar banho e se arrumar. Ainda bem que a Clélia tinha ajeitado seu cabelo antes de fechar o salão. Terminando de se maquiar, ela ouviu o barulho da campainha. Era Joelson, todo aprumado, vestindo uma camisa social.

— Nossa! Você está linda! – Disse Joelson, entregando uma rosa vermelha a Franciele.

— Você também está um gato. Para que toda essa produção? Nunca te vi arrumado desse jeito.

— Hoje é um dia especial. Vamos? – Respondeu.

O bar estava cheio, mas Pedrinho, funcionário do bar, conseguiu arrumar uma mesa para o casal. Eles já tinham tomado umas três cervejas quando começou a tocar uma das músicas favoritas de Franciele. Joelson a tirou para dançar enquanto ela cantava em seus braços: “A felicidade é você…Chuva de amor, céu de paixão…A saudade tem que entender…Que não tem nada haver nessa união…”. De repente Joelson parou de dançar, bem no meio da musica, olhou nos olhos dela e disse:

— Franciele, você quer se casar comigo?

— Sim! – ela respondeu, sem pestanejar.

Ele lhe deu um beijo, a abraçou e continuaram a dançar.

“Meu coração vibrava e eu estava muito feliz, mas minha cabeça não parava de pensar em como iriamos conseguir o dinheiro para o casamento.”

A notícia do noivado já tinha circulado pelo bairro. Franciele mal colocou os pés no salão e Clélia, sua patroa, foi lhe dar os parabéns.

Ela já tinha conversado com o Joelson sobre o assunto. Apesar de trabalhar bastante, ele também não era rico. Disse que não precisavam ter pressa para casar, que queria economizar e construir uma casa antes do casamento e isso levaria tempo. Ela não precisava se preocupar com o dinheiro da obra, ele cuidaria disso.

Joelson sugeriu fazer uma cerimônia simples, só no civil e depois uma reunião com a família e os amigos, sem gastar o queeles não tinham. Franciele engoliu o choro quando ouviu isso, por não ter coragem de contar para ele que sonhava com o dia do seu casamento, que era um momento especial para ela.

“Ele estava sendo muito honrado em construir uma casa para gente morar, sem me pedir um centavo. Mas e meu sonho? Eu fazia questão do vestido e da festa. Teria que resolver isso sozinha, dar um jeito de economizar, só não sabia como.”

Na primeira folga que ela teve depois do pagamento, decidiu ir ao banco. Ia abrir uma poupança. Ela sempre via na TV que era o jeito mais fácil de economizar. Sua ideia era dar um jeito de depositar pelo menos R$ 40,00 todo mês, iria juntar as gorjetas e tentar guardar o troco do supermercado, do ônibus, todas as moedas que conseguisse. Deveria ser o suficiente.

Era a primeira vez que Franciele guardaria algum dinheiro. Ela já tinha conta corrente e a poupança fazia parte do pacote, então só precisava escolher uma data e depositar o dinheiro no dia certo.

O tempo foi passando e todo mês Franciele conseguia juntar um dinheirinho para depositar na poupança. Ela guardava as gorjetas e moedas em um caixinha de papelão, que sua patroa havia dado de presente, e, no final do mês, ia até o banco para fazer o depósito.

Nem sempre era o valor que ela tinha pensado. Às vezes juntava um pouco mais, outras vezes menos, mas estava conseguindo manter sua meta de depositar no mínimo quarenta reais por mês. Depois de dois anos ela já tinha juntado um bom dinheiro. Com os juros e correção dava mais de mil reais. Franciele estava muito feliz com sua conquista. Conseguiu manter a mesma vida e ter uma poupança. Era motivo para comemorar.

Clélia falou para ela sobre uma cliente que havia esvaziado o guarda-roupas e deixado uma sacola enorme para vender no bazar da igreja. Franciele saiu do banco e deu um pulo no bazar, tinha um almoço de aniversário pra ir no domingo e seria ótimo ter um roupa nova. Ela merecia!

Ela ficou tão empolgada no bazar que quase se esqueceu que tinha uma cliente para atender no salão. Chegou e a D. Roselena já estava lá esperando.

— Boa tarde D. Roselena, desculpe o atraso. Fui no bazar da igreja e esqueci a hora.

— Boa tarde Franciele, não se preocupe, estou sem pressa hoje. Pelo visto gastou bastante no bazar, hein! Duas sacolas. Tem muita coisa bonita lá?

— Gastei bastante mesmo, D. Isabela. Achei uma calça, três blusas, dois vestidos e essa camisa de presente para o Joelson. – Falou enquanto tirava as roupas da sacola para mostrar.

— Nossa, são lindas e estão novinhas, nem parece roupa usada. – comentou.

— Gosto bastante de comprar lá. As roupas são boas e também dá para parcelar a compra. A D. Maria faz um carnê para quem ela conhece e eu frequento o bazar há bastante tempo. – Expliquei.

— Cuidado com compra parcelada, minha filha. Nunca é bom a gente gastar antes de ganhar…

— Eu sei, D. Isabela, obrigada pelo conselho, mas estou tranquila. Tenho uma poupança. – Respondeu, sorrindo. – Pode colocar a mão na água.

No dia seguinte, Joelson foi buscar Franciele para irem ao almoço de aniversário de Wilson, colega de trabalho de Joelson. Assim que ele chegou Franciele o entregou a camisa que havia comprado de presente. Ele deu um sorriso tímido e Franciele achou estranho, pois Joelson adorava ganhar presentes.

— Não gostou da camisa?

— Gostei sim, princesa. Ele disse, tentando disfarçar. – Vou até usar para ir no aniversário. O que você acha?

—Acho que vai ficar mais bonito ainda! disse, sorridente.

Depois, Joelson e Franciele foram para a festa. Ele ficou o tempo todo quieto. Tentava sorrir e se entreter na conversa, mas seu semblante estava triste. Depois de dois anos e meio juntos ela já o conhecia bem e sabia que tinha alguma coisa errada…

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Para melhorar a leitura, dividimos esta história em duas partes.

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