A história desse dono de bar mostra como sair das dificuldades financeiras…

Este artigo é uma das histórias de superação financeira relatadas aqui no Poupar Fácil, para motivar você a alcançar as suas metas e objetivos. Conheça agora a história do Joaquim Junior, o “Joca Jr”.


como sair das dificuldades financeiras

Todos os dias Joca chegava em casa cansado, sem forças e mal conseguia dar atenção para sua família. Seu sustento vinha do bar, mas ele queria outra vida.

Era a maior fila da festa. Nem a mesa de doces tinha atraído tanta gente. Bem que os clientes do bar do Joca diziam que não havia caipirinha como aquela. Ele já havia perdido as contas de quantas bebidas tinha servido naquela noite e a fila continuava a crescer.

Enquanto preparava uma caipirinha de cachaça com limão, o sorriso se estampava em seu rosto. Joca estava realmente feliz. Gostava de servir, de ser atencioso com o cliente. Mesmo com o barulho alto, s esforçava para entender os detalhes do pedido e preparar o melhor drink.

Um pouco antes da festa começar Joca havia tirado uma foto do carrinho de caipirinhas, seu mais novo investimento. Ainda tinham alguns detalhes que ele queria melhorar, mas isso podia ficar para depois. Os convidados estavam amando a bebida e vários já tinham pedido seu cartão. O esforço valeu a pena, seu sonho se tornava realidade. seu novo negócio iria prosperar e ele finalmente teria mais tempo para ficar com a sua família.

Um sonho que parecia impossível há algum tempo…

Ainda era terça-feira e eu já estava cansado. A vida atrás de um balcão não era fácil. Eu gostava de preparar os drinks, mas o expediente era difícil de lidar.

Era incrível. Toda vez que Joca começava a recolher as mesas do bar entrava um novo cliente para afogar as mágoas. Ele normalmente tinha bastante paciência e adorava ouvir as histórias, bater papo, dar conselhos. Mas naquele dia, a única coisa que ele queria era voltar para casa e ficar um tempo com sua família.

Joca tinha se especializado em caipirinhas e seu sonho era trabalhar apenas com isso. Ter um carrinho de caipirinha para trabalhar em eventos seria incrível e o daria mais tempo para aproveitar sua família.

Quase na hora de fechar o bar, um grupo de seis pessoas chegou e se sentou na única mesa que Joca ainda não tinha recolhido. Ele foi até lá para recebê-los e avisar que fecharia o estabelecimento em quinze minutos. Os clientes foram compreensivos e disseram que só iriam beber duas cervejas, o que acabou se estendendo por mais de meia hora.

“Às vezes os clientes não entendem que fechar o bar não se trata apenas de abaixar as portas. É preciso recolher todas as mesas e cadeiras, lavar a louça, passar um pano no chão para não encher de baratas, limpar os banheiros, encerrar o caixa, conferir se está tudo em ordem para o dia seguinte, apagar todas as luzes e, finalmente, fechar. Eu estava bem cansado daquela vida.”

O Bar do Joca era um negócio de família. Tinha começado com seu pai, o Sr. Joaquim Arthur Tavares, o famoso Joca, um dos primeiros comerciantes do bairro. Quando ele faleceu, há cinco anos, Joca Jr. e sua irmã, Antônia, assumiram o negócio.

Além da bebida servida no balcão durante a semana, passaram a servir almoço e tinham alguns produtos de mercearia para atender a vizinhança. Sempre aparecia um cliente ou outro para comprar um molho de tomate ou uma maionese que tinha acabado para completar o almoço de domingo. Aos finais de semana e em véspera de feriados, colocavam algumas mesas na calçada, som ao vivo e esticavam o expediente até as 22h. Aos domingos encerravam às 14h para ter algumas horas de descanso, já que segunda de manhã começava tudo de novo.

Antônia era uma mulher esforçada, divida com Joca a carga horária e todo o serviço. Ela cuidava da parte da comida e administração, enquanto Joca era responsável pelas bebidas, pelo caixa e o balcão. Tinham um funcionário para ajudar na cozinha e mais dois para os dias de maior movimento, mas mesmo assim era importante cuidar de tudo.

“A vida no bar era difícil, mas dava o sustento necessário para minha família.”

Joca e a Antônia tinham um pró-labore, ou seja, uma retirada mensal, como um salário para os donos. Era um valor razoável e ele conseguia sustentar a família. Mantinha uma vida simples, casa própria e uma camionete cabine dupla, usada, que também aproveitava no serviço do bar. Ele pagava as contas em dia e se virava para não faltar nada dentro de casa.

Não havia possibilidades de expandir o bar, pelo menos não sem Joca e sua irmã terem que trabalhar mais. A única opção era se contentar com o salário que vinha do bar ou arrumar outro negócio.

Joca tinha dois meninos, Joaquim com 10 anos e Arthur com 8. Carolina, sua esposa, estava fazendo um bom trabalho com a educação deles. Eram bons alunos e, no geral, sempre comportados. Joca tinha vários planos para se divertir com eles, mas nunca tinha tempo para isso.

O expediente do bar era muito duro. Normalmente, quando ele chegava em casa seus filhos já tinham feito a tarefa da escola e estavam de banho tomado, prontos para jantar, brincar um pouco e ir para a cama. Nas semanas mais tranquilas ele até conseguia ficar uma meia hora brincando com eles, mas sentia falta de atividades ao ar livre, durante o dia. Sair para jogar bola na quadra do bairro, leva-los para tomar um sorvete e até acompanhar mais de perto a educação dos dois.

Quando Joca chegou em casa o jantar já estava sendo servido. Sua esposa percebeu seu cansaço e fez de tudo para evitar que as crianças dessem trabalho. Naquele dia os dois estavam agitados, tinham ido ao zoológico em uma excursão da escola e estavam animados para contar as novidades. Joca normalmente ficava feliz em ouvi-los, mas o cansaço era tanto que ele só queria um jantar tranquilo.

Após colocar as crianças na cama, Carolina o chamou para conversar. Em seguida, ela perguntou o que havia acontecido e confessou estar surpresa com o extremo cansaço de Joca. Sem se importar em continuar guardando aquele sentimento, Joca admitiu estar cansado daquela vida. Disse que gostaria de ter mais tempo com os filhos, mas o bar o impedia.

Carolina questionou a respeito da vontade que Joca tinha de investir em um novo negócio com um carrinho de caipirinha e ele disse que ainda tinha a ideia em mente. Porém, não sabia como arrumaria o dinheiro, já que seu salário mal cobre as despesas da casa.

Depois de receber de Carol um conselho sobre abrir uma poupança e recomeçar o investimento do zero, Joca consentiu e prometeu que iria pensar no assunto. Para incentivá-lo, Carol também fez uma promessa: disse que iria economizar o máximo que pudesse dentro de casa.

“Eu era um felizardo por ter uma família tão boa. Carolina estava disposta a economizar dentro de casa para me ajudar a ter meu carrinho de caipirinha. Agora dependia de mim, tinha que dar um jeito de economizar para investir, só não sabia como.”

No dia seguinte o fornecedor de bebidas foi até o bar pegar o pedido da quinzena. Raul era um dos melhores vendedores da empresa. O bar do Joca nem fazia mais parte da rota dele. Ele atendia só os grandes compradores, donos de supermercado e depósitos de bebidas. Como Joca e ele tinham um bom relacionamento, Joca conseguiu que ele continuasse o atendendo.

Raul tinha despertado em Joca o interesse no negócio do carrinho de caipirinha. Apesar de parecer difícil, em outra ocasião, ele havia o contado sobre um cliente dele, do outro lado da cidade, que tinha investido em um carrinho e tinha dado certo.

“Então Joca, o negócio vai bem, ele disse que dá dinheiro e tem bastante gente procurando o serviço. Mas ele está com um pouco de dificuldade para pagar o financiamento. Parece que ele errou feio na hora de pedir o empréstimo para comprar os carrinhos. O prazo de carência não caminhou junto com o faturamento e os juros são bem altos. Já era para ele estar lucrando com o negócio, mas ainda está trocando figurinha. Ele me disse que se arrependeu de pedir o empréstimo, que deveria ter juntado dinheiro para investir à vista. Você vai investir?”, perguntou Raul.

“Estou estudando as possibilidades, Raul. Vou amadurecer a ideia. Se for, quero investir à vista. Vou começar a juntar o dinheiro e ver no que vai dar”, comentou Joca.

Depois que Raul foi embora, Joca aproveitou para pesquisar qual seria o valor do seu investimento. Seria legal começar com dois carrinhos, no mínimo, mais os utensílios para fazer as caipirinhas, matéria prima e material de divulgação. Daria uns 15 mil reais em investimento. Não era muito. Se ele conseguisse poupar R$ 600,00 por mês seria possível iniciar o negócio em pouco mais de dois anos. Apesar disso, Joca não sabia se conseguiria tirar este valor das despesas mensais. Era hora de conversar com a sua esposa para ver o quanto eles conseguiriam economizar dentro de casa. O restante, Joca teria que dar um jeito.

Ler desfecho da história